Existem uma
gama de nutrientes e para cada um deles o organismo possui uma necessidade
específica diária ou dose diária recomendada (IDR). Para proteína 50 g,
Vitamina A 600 mcg, vitamina C 45 mg, vitamina K 65 mcg, magnésio 260 mg,
vitamina B12 2,4 mcg, vitamina E 10 mg. Para os oligoelementos a necessidade é
de: zinco 7 mg, cobre 900 mcg e selênio 34 mcg. Quando esses e outros elementos
não são ofertados ao organismo diariamente e por período prolongado instala-se
um quadro de desnutrição.
A desnutrição
é um grave problema em diversos países do mundo. Naqueles ditos em desenvolvimento a
prevalência desse problema é de ordem de 50,6 milhões. Nos hospitais, onde o
atendimento é propriamente realizado, a desnutrição alcança uma taxa de
mortalidade de ordem de 30%, este se mantendo constantes entre as décadas de 50
até 90.
A desnutrição
possui três classificações:
·
Desnutrição de 1º grau ou leve - o percentil
fica situado entre 10 e 25% abaixo do peso médio considerado normal para a
idade.
·
Desnutrição de 2º grau ou moderada - o déficit
situa-se entre 25 e 40 %.
·
Desnutrição de 3º grau ou grave - a perda de
peso é igual ou superior a 40%, ou desnutridos que já apresentem edema,
independente do peso.
A evolução da
desnutrição vai da hipoglicemia à hiperglicemia. Na medida em que o corpo vai
sendo privado dos macronutrientes, o organismo vai fazendo uso das reservas
energéticas, mais especificamente o glicogênio na tentativa de manter a
homeostasia de glicose. Como essa via logo se esgota o organismo produz glicose
a partir de aminoácidos livres e glicerol, que também é uma via ineficaz e
certamente determinará um quadro de hipoglicemia ou glicose sérica abaixo de 54
mg/dl. Um dado importante é que a sudorese e a palidez, que normalmente ocorre
na hipoglicemia dos pacientes eutróficos, não ocorrem no desnutrido.
Os próximos
passos do organismo são elevação do cortisol, aumento da produção de ácidos
graxos por lipólise, diminuição da síntese de insulina e aumento da produção de
glucagon, redução da lipase lipoproteica. O resultado de tudo isso é um estado
de resistência insulínica e por fim o paciente evolui com hiperglicemia.
Nesse
processo todo o organismo vai perdendo seu potencial de homeostase e começa a
apresentar sintomas. Um dos principais é a temperatura abaixo de 36,5°C, e ao
contrário do que pode se pensar ela irá correr também nas infecções, essas
facilitadas por conta da própria desnutrição. Há também letargia, redução do
nível de consciência, incoordenação motora e por fim as crises convulsivas e
coma com risco de morte. Caso paciente também curse com desidratação, o
profissional de saúde pode deixa-la passar despercebido, pois a escassez do
tecido adiposo subcutâneo do desnutrido dificulta a identificação da aparência
do paciente desidratado. Nesses casos os sinais ais característicos são mucosa
oral seca, olhos profundos, saliva espessa, pulso fraco ou ausente e letargia.
A anergia do
paciente desnutrido deu origem ao nome Marasmo, patologia ocorrida devido à baixa
ingesta de carboidratos e lipídeos,
ocorrida em sua maioria em crianças abaixo de um ano. Como o corpo faz uso
aumentado das proteínas como fonte de energia e por já ter exaurido as reservas
de lipídeos, a criança com marasmo sofre emagrecimento radical, perda da
gordura subcutânea e retardo do crescimento, o primeiro sinal nas crianças. Pode
cursar tanto letargia quanto irritabilidade. O peso costuma estar abaixo de 60%
do esperado para a idade. A musculatura das nádegas e braço costuma ser mais
afetada, e por vezes o abdome é proeminente. A face tem aspecto envelhecido ou
simiesco. O organismo como um todo fica comprometido, incluso aí o sistema
imune, facilitando a ocorrência de infecções, principalmente das vias
respiratórias. Nesses casos de infecções no desnutrido o quadro irá se
apresentar como hipotermia, apatia, sonolência e recusa alimentar. É importante
saber que no desnutrido grave, o oco axilar dificultada a correta aferição da
temperatura e que a hipotermia citada é um importante sinal, com a temperatura
de 37,5 correspondendo a uma febre de 39-40°. Ademais, uma simples tosse pode
significar pneumonia.
Já o
Kwashiokor é uma desnutrição causada por pequena ingesta de proteínas. Os
sintomas são abdome ascítico e edema de membros inferiores. O aumento de volume
nesses casos é por baixa pressão oncótica nos vasos. Com isso o líquido tenderá
a extravasar para o terceiro espaço, nesse caso o espaço peritoneal, aumentando
o volume abdominal. Esteatose hepática será causada pela pequena baixa produção
de enzimas hepáticas, permitindo o acúmulo de gordura do fígado. Alterações
mentais que vão da apatia à irritabilidade, não sorri e paradoxalmente não
aceita a dieta.
Outros sinais
são a transformação do cabelo para mais quebradiço, perda de brilho e de
colaração castanho-vermelho. Isso ocorre pela deficiência de fenilalanina, que
participa da transformação da tirosina em melanina. A dermatose na pele pode ou
não surgir. Quando sim geralmente começa nas áreas de maior fricção como os
cotovelos. A anemia é quase certa de ocorrer, já que falta proteínas para
produzir células. A diarreia pode conter traços de alimentos mal digeridos, já
que as enzimas digestivas também estarão em pequena quantidade. O odor é desagradável
e por vezes apresenta hematoquezia. As bochechas podem ficar edemaciadas e
criar a chamada face de lua.
Os pacientes
também podem apresentar tanto o marasmo, quanto o Kwashiokor ou ambas. Para
essa definição existem os critérios de McLaren, como a seguir:
Nas frutas
amarelas e ácidas em geral, nos tomates e batatas se pode encontrar a vitamina
C, essencial para a formação de colágeno e contribui para a absorção do ferro.
Nas crianças de 6 a 12 meses a carência de vitamina C acarreta sangramento
gengival, dor aos movimentos, inapetência e retardo do ganho de peso. Pode
também ocorrer sangramento subperiosteal. No outro extremo costuma ocorrer nos
idosos com dificuldades de se alimentar, que não aceitam bem vários alimentos e
se restringem a carne desidratada, farinha, torradas e vegetais enlatados. Os
sintomas nesses indivíduos são hemorragia na pele, gengivais, debaixo das unhas
das mãos e articular. Há ainda variação
de pressão arterial e adinamia.
A vitamina E tem
ação antioxidante e por isso protetor celular. Nas crianças que cursam com sua
deficiência os sintomas envolvem hemorragias cerebrais e retinopatias. Nas
crianças maiores, cujo exame físico pode ser melhor detalhado foi identificado
perda de reflexos, dificuldade na deambulação, diplopia, perda do equilíbrio e
fraqueza muscular, tudo comandado pela perturbação neurológica característica
da carência dessa vitamina.
REFERÊNCIA
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séria enfermidade que ainda assombra o contexto hospitalar. Revista Paulista de Pediatria. v. 28. n.
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LIMA, Adriana Martins de; GAMALLO, Silvia Maria M.;
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Nutrologia. Set, 2011.
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recomendada (idr) para proteína, vitaminas e minerais. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária.
Disponível em: http://www4.anvisa.gov.br/base/visadoc/CP/CP%5B8989-1-0%5D.PDF.
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Deficiência de vitamina C. Manual Merck. Disponível em: http://www.manualmerck.net/?id=161&cn=1258
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